As manchetes recentes estampam o caso do jacaré que carregou uma criança na beira de um lago na Disney, Estados Unidos. Na tentativa de achar o animal culpado, outros cinco jacarés foram mortos.

Há pouco mais de um mês um gorila foi morto quando uma criança caiu na sua jaula, uma área que era isolada.  Na Tailândia, em fevereiro deste ano, um turista britânico morreu após ser atacado por um elefante. Levando em consideração que elefantes são explorados pelo turismo tailandês, a culpa não é exclusiva do animal e sua ferocidade.

Por outro lado, quantas fotos de amigos e conhecidos beijando golfinhos você já viu? Eu mesma tenho uma e me arrependo de ter pagado e colaborado com isso. Sem mencionar os leões presos em cativeiros e mantidos com altas doses de soníferos nos diversos zoológicos mundo a fora, para que o turista possa tirar uma foto bonita passando a mão no bichano. E as aves presas em grandes viveiros, com sua liberdade reduzida a míseros metros?

O turismo animal está implícito na nossa sociedade, tornou-se banal, comum. Celebridades, blogueiros e pessoas anônimas – como eu e você – compartilham a todo o momento imagens nas redes sociais em aquários, zoológicos ou com animais silvestres domesticados. Criamos uma cadeia de exposição, tiramos fotos com animais, postamos, recebemos likes e comentários e, assim, incentivamos o outro, direta ou indiretamente, a fazer o mesmo. Porém, como podem estar bem esses animais se estão dopados e presos em cativeiros?

Em janeiro viajei para Curaçao. Lá pela primeira vez fui a um aquário e pude ver alguns espetáculos. Ver um peixe-boi se submetendo a acrobacias para ganhar alimento me partiu o coração. Mergulhei com golfinhos, passei a mão em um deles e pude ver várias cicatrizes em seu corpo. Na semana seguinte saiu a notícia dos turistas que mataram um golfinho após tirá-lo da água para fotografá-lo. Likes valem mais do que a vida de um indefeso animal, até quando?IMG_4217

É importante refletirmos sobre como nossas decisões impactam a vida animal. Tratar golfinhos em cativeiro com comida em horários pré-determinados não é necessariamente fazer o melhor por eles.

E quanto ao caso dos animais que atacaram crianças, pisotearam turistas e outros incidentes, todos eles provavelmente estavam estressados. São animais, ora pois. Não nasceram para ficar presos entre quatro paredes, atrás de grades servindo de modelo para fotografias. Não pediram para serem apalpados, beijados e abraçados por seres humanos. Tem horas que seus instintos sobressaem, e nós, humanos, não podemos prever a reação de um animal estressado.

Por isso, há muito tempo quero fazer essa reflexão aqui: até quando vamos submeter animais selvagens ao turismo? Até que ponto isso é benéfico? Está proporcionando felicidade para quem? Para o animal com certeza não é.

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Fã de MPB, amante da cultura latina, apaixonada pelo mar e graduanda em jornalismo. Quando não estou viajando, estou lendo. Às vezes faço os dois simultaneamente.

3 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente, essa é uma realidade da qual espero que acabe um dia.Animais não foram feitos para entretenimento humano, eu sou totalmente contra a qualquer tipo de atração que envolve animais. Já visitei zoológicos, já fui em áquarios, mas hoje, depois de tanto pesquisar e ver tantas notícias nas mídias, nunca mais piso os pés. Animais não foram feitos para viverem em cativeiros. Recentemente, estava louca para ver os porquinhos na ilha do Bahamas, mas depois de alguns depoimentos que vi na mídia, vi que é outra “cilada”, os porquinhos da ilha não são tão livres como eu pensava, e na verdade, não passa de mais um lugar para ganhar dinheiro com o turismo. Obrigada por compartilhar esse depoimento aqui.

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