Mapa da estrada de ferro Vitória a Minas.
Mapa da estrada de ferro Vitória a Minas.

Histórias de viagem são tão boas! São recordações que ninguém pode tirar da gente, aventuras, medo, companheirismo e tantas emoções vivenciadas em alguns dias.

Abaixo irei relatar um caso que aconteceu comigo e meu irmão há quase um ano, nas férias de julho de 2014. Esse é um dos casos de viagem que mais gosto de contar, foi um perrengue enorme no dia, mas agora nós rimos muito quando lembramos.

(…)

No meu último aniversário minha família foi passar um fim de semana em Ouro Preto/ MG. Lá conhecemos o Trem da Vale que faz o trajeto de Belo Horizonte para Vitória, no Espírito Santo. São pouco mais de 12 horas de viagem, esse é o único trem de passageiros interestadual no Brasil trabalhando diariamente.

Meu pai ficou tão encantado por ainda existir trens desse tipo que resolveu presentear eu e meu irmão com uma passagem, a fim de conhecermos e termos noção de como ele fazia quando era criança e dependia desse tipo de transporte para se locomover.

Eis que lá fomos nós, para BH. Chegamos na hora do almoço, ficamos hospedados no Hotel Ibis – naquela época eu ainda não conhecia a eficiência dos Hostels. Papo vai, papo vem, nós descobrimos que naquele dia teria jogo no Mineirão, Cruzeiro contra Vitória. Como não conhecíamos o estadio, decidimos ir como telespectadores. Afinal, fazia pouco tempo desde o fim da Copa do Mundo e o Mineirão presenciou grandes espetáculos. Pra falar a verdade, naquela noite a única parte lotada de torcedores era a área do Cruzeiro. Até comprei uma bandeira para nos infiltrarmos… Nós aprendemos todos os hinos e por fim, o Cruzeiro ganhou de 3×1.

Sendo poser antes do jogo.
Sendo poser antes do jogo começar.

A primeira coisa que fizemos ao chegar no Ibis foi dormir, afinal o trem sairia às 07:30h do dia seguinte. O despertador tocou inúmeras vezes antes de levantarmos. Tomamos café da manhã, fizemos check out e às 07:20h saímos de táxí com destino a plataforma onde (deveríamos) embarcar.

Cariocas, enrolados e sonolentos. Chegamos à estação já eram 07:32h!!! O que aconteceu? Isso mesmo: perdemos o trem. Até então eu não sabia que os mineiros eram tão pontuais quantos os ingleses… Naquele momento eu entrei em desespero. Tínhamos reserva para aquela noite em Vitória e a passagem de volta estava comprada. O próximo trem só sairia no dia seguinte, se ficássemos em BH levaríamos um prejuízo enorme, sendo que nosso dinheiro estava contadinho. Nessa viagem minha mãe não me deixou levar cartão de crédito, ou seja, estávamos ferrados.

Sentamos na calçada da estação, meu irmão ligou pro nosso pai e o recado foi esse: “vocês perderam o trem por irresponsabilidade, precisam dar um jeito.” E demos.

Um grupo de taxistas clandestinos nos abordou, eles estavam presenciando nosso desespero e ofereceram uma corrida até a cidade vizinha – há quase 250 km – onde o mesmo trem faria a próxima parada. O arrombo no orçamento seria menos pior do que se ficássemos esperando o próximo trem, desse modo, não pensamos muito e aceitamos a proposta.

Foram quase quatro horas por uma estrada via única, sem acostamento, com uma infinidade de carretas cortando umas as outras. Além disso, o taxista passou a viagem inteira escutando músicas cristãs, enquanto eu e meu irmão trocávamos olhares desesperados. Éramos só nós dois no carro com um desconhecido, sem sinal no telefone e torcendo para chegarmos vivos.

Por fim, chegamos a tempo do próximo embarque. Passamos a noite em Vitória quase sem grana, e não perdemos o voo de volta. Aprendemos que devemos ser pontuais. O único ponto chato foi que durante as paisagens mais bonitas nós não estávamos no trem…

E ah, a foto que ilustra esse post é do novo trem. que para nossa sorte foi inaugurado na semana seguinte da nossa aventura.

Foto: Trem novo da Vale no site oficial da empresa / Trajeto do trem também no site da Vale.

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Fã de MPB, amante da cultura latina, apaixonada pelo mar e jornalista. Creio que em cada esquina há algo pronto para ser descoberto, partilhar experiências com quem queira ler é o que eu faço.

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