Não sei você, mas eu costumava ignorar o seguro saúde para viagem internacional. Já perdi as contas de quantas viagens internacionais fiz sem ter o seguro saúde. Para os intercâmbios eu fazia, até porque seria muito tempo em outro país.

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E, em todas as outras viagens internacionais com menos de um mês de duração, eu simplesmente ignorava a necessidade de fazer um seguro. Sabe aquela história de achar que nada de ruim pode acontecer? Então, eu pensava assim.

Até que em fevereiro de 2017 fui para a Europa. O plano era uma viagem sozinha de 20 dias por três países europeus. Estava bastante empolgada porque conheceria lugares incríveis que nunca tinha ido antes, era aquela típica animação de viagem.

Para essa viagem específica eu decidi fazer o seguro saúde para viagem internacional. Uns dias antes de viajar fui ao médico e ele me alertou que eu só poderia viajar se tivesse feito o seguro. Prevenção médica, sabe como é.

Depois do alerta eu fechei o seguro. Foi graças ao Dr. Guilherme que eu me livrei de um dos maiores perrengues da minha vida. Já o agradeci pessoalmente por ter insistido para que eu fizesse o seguro saúde para viagem internacional. Até porque sem isso eu provavelmente estaria ferrada agora, tanto física quanto financeiramente falando.

Foto: Pixabay

O que fazer quando você precisa acionar o seguro saúde para viagem internacional

Como vocês já devem saber, eu fiquei internada três dias em Leuven, na Bélgica. Parece simples o processo de acionar o seguro durante a viagem, porém, nada é tão fácil quanto aparenta ser.

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Eu estava em Berlim, no terceiro dia de viagem quando comecei a passar mal. A primeira coisa que fiz foi entrar em contato com o meu médico no Brasil. Dr. Guilherme me recomendou procurar um hospital para ser medicada. Foi aí que começou o problema.

O primeiro passo para acionar o seguro seria ligar para a central telefônica deles, que é brasileira e está localizada em São Paulo. Ou seja, eu precisaria fazer uma ligação internacional. Coloquei crédito no Skype e perdi horas conversando com os atendentes, explicando minha situação e pedindo o endereço de um hospital. Não foi fácil, ainda mais por estar viajando sozinha.

Resumo da ópera: o seguro não liberou nenhum hospital para mim em Berlim. Simples assim. Não consegui atendimento na capital alemã. Entretanto, eles me deram duas opções, um hospital em cada próximo destino que eu iria.

A dúvida: prosseguir viagem com dor ou ir para qualquer hospital?

Nesse momento, meu último dia em Berlim, eu já nem conseguia falar direito de tanta dor. Não sabia se deveria seguir viagem ou o que fazer.

Entrei em contato com minha amiga, a Giuli, que me receberia no fim da viagem em Leuven. E ela me disse: “vem para cá agora, vou te levar ao hospital”. E lá foi Amanda, carregando uma mala imensa rumo à estação de trens.

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A passagem Berlim-Bruxelas custou uma fortuna. Foi praticamente todo o dinheiro que eu tinha para a viagem. Ao todo, foram 6h de trem até Bruxelas e mais 25min até Leuven. Da estação fomos direto ao hospital, onde permaneci internada por três dias.

A burocracia com o hospital

Para ser atendida no hospital em Leuven eu precisei mostrar todos os meus documentos, desde passaporte a comprovante do seguro saúde. Em momento nenhum o seguro tinha me indicado ir para esse hospital, mas dada as condições foi a melhor alternativa que encontramos.

Quando estava internada ligava para a central telefônica do seguro em São Paulo para atualizar a situação e saber como deveria resolver os custos com o hospital. Afinal de contas, o sistema de saúde não é gratuito na Bélgica e uma internação gera muitos gastos.

Trancada naquele quarto de hospital eu só pensava em como iria embora dali se tivesse que pagar a conta na saída. Meu cartão de crédito não tinha limite suficiente e meu dinheiro tinha praticamente acabado com a passagem de trem. Passei as três noites sem dormir pensando nisso.

Em todos os meus contatos era informada que a situação do pagamento seria analisada após minha alta do hospital. Analisada não é o mesmo que ser paga e isso me dava pânico.

No hospital, entretanto, tive o melhor atendimento possível. Todos eram muito gentis e solícitos. Recebi ótimo tratamento de médicos, enfermeiros e assistentes sociais. Todos preocupados com a minha situação, tentando ajudar e compreendendo os fatos. Outro detalhe é que todos eles falavam em inglês comigo, em momento nenhum tive problemas de comunicação.

Não é por nada não, mas o hospital (esse da foto) é melhor do que alguns hostels que eu já fiquei…

A documentação necessária para acionar o seguro

Um detalhe muito importante é que eu anotei todos os protocolos de todas as ligações realizadas. Após a ligação eu também enviava e-mails ratificando o que havia dito. Guardei todas as minhas vias de documentos que precisei assinar no hospital. Além disso, também solicitei ao médico um relatório informando minha situação, o porquê de eu estar internada e porque eu deveria retornar precocemente ao Brasil.

Para quem passa por uma situação semelhante é de extrema importância guardar todos os documentos que puder para comprovar o acontecimento. Guarde tudo, desde a nota fiscal até a receita médica.

Retorno antecipado ao Brasil e análise do pagamento

Recebi alta na sexta-feira às 08h e às 12h estava dentro do avião retornando ao Brasil. Uma loucura.

Me deram alta, mas não me deram conta para pagar. Saí do hospital achando que tinha dado calote. No aeroporto tive medo de ser barrada na alfândega por não ter pagado o hospital. Dramática do jeito que sou, pensava que meu nome estaria na lista negra belga de devedores.

É claro que nada disso aconteceu. Não fui barrada e voltei ao Brasil para continuar o tratamento por aqui. Nas semanas seguintes resolvi todas as burocracias com o seguro por e-mail. Recebi também o e-mail do hospital de Leuven com a fatura da internação.

Foto: Pixabay

Para a análise do pagamento, eu precisei enviar a sede do seguro todos os documentos que havia recolhido. Alguns foram autenticados porque enviei as cópias, preferi ficar com os originais caso esse processo pacífico desse errado.

O lado bom? O seguro arcou com as despesas hospitalares e reembolsou a passagem aérea comprada emergencialmente. Aprendi na marra a importância de fazer o seguro saúde para viagem internacional.

Apesar de ter achado todo o processo de conseguir um hospital / saber se arcariam com os custos muito trabalhoso, sei que se estivesse sem seguro tudo seria milhões de vezes pior. Portanto, reconheço a eficácia de um bom seguro saúde para viagem internacional. E, se me permite a dica, não faça igual a antiga Amanda que viajava sem seguro.

Nunca, jamais, vá para o exterior sem um bom seguro saúde. Você paga uma taxa extra que te livra de um monte de dor de cabeça. Vai por mim, viaje seguro!

Imagem destacada: Pixabay

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