Com toda essa mudança aqui no blog – novo layout, nova identidade visual, nova fase – percebi que os lugares que mais conheço não tem posts e as experiências que mais marcaram a minha vida quase não tem informações por aqui.
Para mudar esse cenário, irei publicar conteúdos relacionados a essas temáticas regularmente. Você que me lê, aí do outro lado da telinha, também pode ajudar com dicas de temas, sugestões ou dúvidas! Basta deixar seu questionamento nos comentários ou enviar por e-mail, para contato@asviagensdetrintim.com.br

Uma dessas experiências que mencionei foi ter feito intercâmbio. É clichê, mas morar em outro país muda a gente, transforma nossa visão de mundo e abre a mente. Quem já foi sabe como é, quem ainda não, mas deseja ir, imagina. Já fiz dois intercâmbios. Um totalmente o oposto do outro.

Amanda de 17 aninhos em Cambridge

Intercâmbio cultural na Inglaterra

No primeiro eu era uma menina, tinha 17 anos, muitos sonhos e poucas certezas. Tinha recém terminado a escola e, nos meus planos, entraria na faculdade para cursar Relações Internacionais. Como nunca fui muito fã dos Estados Unidos, não queria ir para a terra do tio Sam. Na época o dólar custava, aproximadamente, R$2,06, ou seja, com “pouco dinheiro” era possível ficar bastante tempo nos EUA. Só que não adiantou. Sonho de menina canceriana, eu queria mesmo era conhecer a terra da Rainha. Procurei uma agência de intercâmbios, convenci a família, e fui para a Inglaterra.

Decidi morar em Cambridge – na minha cabeça Londres era uma cidade muito grande e Cambridge, ao contrário, era o lugar perfeito. De fato, foi assim. Cambridge é linda, charmosa, cheia de história, jovens e aventura. Como era menor de idade, só tinha a opção de morar em casa de família. Minha host family eram dois senhores que recebiam estudantes porque os filhos já não moravam mais com eles. Aprendi muito nesse período.

Praticamente todas as noites eu e Tony, o host dad, conversávamos sobre fotografia, a paixão mútua dos dois. Todo final de semana eu viajava para algum lugar diferente na Inglaterra, quase todas as vezes fui sozinha. Falava em inglês com qualquer pessoa que cruzasse meu caminho e, consequentemente, fugia dos brasileiros – tanto que todos meus amigos dessa época são gringos.

Vivi muita coisa, descobri sentimentos e fiz de Cambridge meu lar por algumas semanas. Mas, no dia marcado, voltei ao Brasil, continuei os estudos e, assim, a vida seguiu.

Intercâmbio voluntário no Peru

Aos 19 anos conheci a Aiesec numa palestra na minha então faculdade. Resolvi a parte burocrática e apliquei para participar de um projeto na China. Fiz a entrevista online, pesquisei passagens aéreas, mas meu sonho foi barrado pelos superiores.

Ao invés da China fui para o Peru, país vizinho ao Brasil e de uma cultura completamente diferente. Tudo nesse intercâmbio foi novo, tudo era quebra de paradigmas e completamente discrepante da experiência anterior. A minha primeira barreira foi a língua, na época meu espanhol era péssimo. Eu fui para Arequipa a fim de trabalhar com crianças carentes, pelo menos era isso que pensava.

Entretanto, lá descobri que o trabalho só era voluntário para os intercambistas porque a escola era privada, recebia uma grana para cuidar de cada criança e não pagava nada pelos “professores estrangeiros”. A família foi outro problema. É difícil se enquadrar em um novo conceito, mais protetor do que aquele que você está acostumada. Eu não podia sair sozinha ou ter a liberdade que no Brasil eu tenho e esse foi um dos pontos de discórdia. Depois de tanta confusão, acabei mudando de casa.

Hoje, olhando para atrás e analisando friamente toda a situação, percebo que poderia ter agido de maneira bem melhor e, assim, evitado diversos transtornos. Mas, é a vida, ninguém nasce perfeito. O lado bom é que em Arequipa conheci pessoas incríveis, amigos fantásticos e fiz memórias inesquecíveis.

Arequipa, no Peru, é conhecida como “la ciudad blanca” devido as suas construções.

Qual intercâmbio escolher?

Cada intercâmbio foi único, decisivo e importante. Para quem vai estudar a responsabilidade é grande, afinal de contas você terá atividades, trabalhados e aulas para assistir. Não é “apenas uma viagem de férias” se seu intuito for realmente aprender um novo idioma. É preciso ter um pouco de dedicação.

Aqueles que optam pelo intercâmbio social podem ter mais flexibilidade, porque após o trabalho há tempo livre e, na maioria das vezes, é possível aproveitar as noites e finais de semana para lazer. Intercâmbio para trabalho voluntário também costuma ser bem mais barato, por isso, acaba compensando financeiramente.

A dica para quem vai embarcar para outro país em busca de vivência é: tenham paciência e empatia, principalmente com quem te recebe. Esteja disposto a aceitar uma nova cultura, sem achar que a sua é melhor que a do outro ou vice versa. Além disso, permita-se errar, aproveite cada minuto e divirta-se, porque a vida é um sopro.

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