Era fato que eu faria amigos durante a viagem, afinal, eram dois meses, 35 brasileiros no programa e vários destinos. O que eu não esperava era quantas surpresas o destino me preparava, ou coincidências.

Em Cusco, conheci um rapaz que estuda na mesma faculdade que eu e no mesmo curso. Ele já está escrevendo sua monografia, enquanto eu, estou aprendendo o que são as Relações Internacionais. Descobri várias coisas, conheci a visão de alguém ‘mais velho’ sobre a instituição, a carreira, os professores… Cada detalhe me enriqueceu como pessoa e profissional.

Na mesma cidade, fiquei amiga de um casal de paulistas. Todos os passeios fazíamos juntos, trocamos experiências de vida, conversas e fomos fotógrafos uns dos outros nos pontos turísticos. Casais que viajam sós e, mesmo assim, se dispõem a serem amigos de viajantes solitários são os melhores!

Brasileiros acolhidos por Peruanos em Arequipa.
Brasileiros acolhidos por Peruanos em Arequipa.

No grupo em Arequipa descobri que tinha uma irmã gêmea, fiz amigos do nordeste ao sul do Brasil. Pratiquei o espanhol com direito a várias gargalhadas com peruanos, não entendia o acento argentino, tão pouco algumas gírias regionais brasileiras. Por falar em Brasil, fiz graça com o sotaque alheio, como recompensa admiti o quanto nós cariocas falamos chiando.

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A primeira flor de Valentine’s a gente nunca esquece… Obrigada!

Ao me aventurar sozinha por Quito, fiz amigos americanos. De um deles ganhei uma rosa em pleno Valentine’s Day e, uma discussão calorosa do porquê eu devo incluir os Estados Unidos na minha wishlist. No final, concordei em conhecer a América, não pelos lugares ou história, mas por esses amigos que quebraram todo o esteriótipo americano que eu imaginava.

Porém, a maior curiosidade de todas aconteceu em Cartagena. Além de um amigo francês ousado, conversei muito com o Andres. Um garoto muito gente boa que trabalhava no Hostel a noite, fluente em inglês e portunhol, ele era venezuelano que, devido a crise, mudou de país a fim de encarar uma realidade melhor. Nossas conversas eram sobre todos os assuntos possíveis, desde viagens a escolaridade, passando por três idiomas. Ao trocarmos facebooks percebo que tínhamos um amigo em comum, uma coreana que estudou comigo na Inglaterra e que ele a conheceu quando estava na Irlanda. Qual a probabilidade disso acontecer? Três nacionalidades distintas, entrelaçadas por diferentes países e unidas através de uma rede social. Prova irrefutável de que, atualmente, o mundo é um lugar bem pequeno. Ou de que a teoria dos Seis Graus de Separação existe.

Mesmo com tantos novos contatos, fui viajar em busca de reencontros. Um deles me me avisou quando já estava prestes a embarcar que não poderia me ver; tudo bem, conheci outras pessoas, lugares e essa foi mais uma experiência. A outra me recebeu de braços abertos em sua casa, a melhor recepção da vida! Prova de que amigos de intercâmbios, viagens, podem / são amigos para sempre.

Amiga de intercâmbio também pode ser pra vida toda.
Amiga de intercâmbio também pode ser pra vida toda.

Viajar sozinha e não ficar só foi o tema dessa aventura. Cada pessoa que passou por mim, deixou um pouquinho de si. As chilenas de Lima, os brasileiros em Quito que aceitaram rachar táxi com uma desconhecida – no caso eu mesma, os tios europeus mochileiros do Equador, as meninas de Brasília em Cusco… Um por um contribuíram para criar uma nova Amanda, para mostrar que o mundo só conhecerá paz quando aprender a aceitar o outro como ele é. E não há nada melhor para isso do que deixar-se imergir por diferentes culturas.

Viaje para viver, celebrar diferenças, descobrir sobre si e preservar o que temos de melhor: nossa capacidade de fazer e manter amigos.

Foto: Armandinho no Facebook.

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