Se você já viu alguma foto das Prainhas do Pontal do Atalaia, em Arraial do Cabo, provavelmente ficou encantado achando que era um paraíso. E, de fato é, não estou desmerecendo o lugar. A beleza dessa praia é indescritível. Mar azul turquesa – de águas geladas, só para constar – cercado por areias branquíssimas, assim é as Prainhas. Na baixa temporada, fora de época, com a cidade vazia.

No ano novo resolvi apresentar este pequeno oásis para alguns amigos. Antes de se quer chegarmos perto da praia já estava tudo engarrafado.  Tinha trânsito ali, na praia, no meio do nada. Nem as motos andavam.

Para quem nunca foi à essa praia vou explicar como é. Em Arraial do Cabo existe um pontal, chamado de Pontal do Atalaia, é praticamente um mirante com uma vista incrível, ótima pedida para o pôr do sol. É nesse pontal que fica a estradinha para as Prainhas, inicialmente formada por paralelepípedos, com duas faixas apenas, uma para ir e outra para voltar. Alguns quilômetros à frente existe uma cancela para o pagamento do estacionamento, ou você pensou mesmo que se livraria de taxas no paraíso? Bobinho. É obrigatório pagar R$10 se quiser continuar trafegando por ali.

Engana-se, entretanto, quem pensa que ao pagar essa taxa a estrada ficará melhor. Pelo contrário, ela piora, e muito. Cem metros depois da cancela começa a estrada de chão. Bem-vindo ao rali. Pouquinho depois você chega na famosa escada que dá acesso à praia. Se não tiver engarrafamento nesse meio, claro.

Nós demoramos 40 minutos para andar pouco mais de 300 metros. Muitas pessoas faziam o trajeto a pé, afinal, não tinha vaga para estacionar o carro nem perto, nem longe da escada.

Depois de muito penar, o problema foi resolvido, carro estacionado. Pequena caminhada até a escada, e tcharam: nenhum metro quadrado livre, nem para uma selfie clichê. Inclusive, há partes da escada que já estão quebradas. Nota baixa para conservação do patrimônio público.

Que a praia estaria cheia não era novidade, a surpresa foi o engarrafamento e a grande quantidade de lixo. Surreal ver um lugar naturalmente bonito empanturrado de latinhas, guardanapos, restos de comida e diversos outros lixos espalhados pela areia. Incrível também é perceber que o comércio ambulante chegou por ali. Pasmem, mas uma barraquinha de comida montada na areia estava cobrando R$50 pelo aluguel de uma mesa com quatro cadeiras e sombreiro.

Descobriram o paraíso e querem lucrar com ele. Seria muito mais viável se a taxa de estacionamento cobrada fosse revertida para a manutenção das Prainhas do Pontal do Atalaia. Se de fato existisse uma cota máxima de visitantes por dia, tanto por via terrestre quanto por via marítima. A praia tornou-se famosa, é preciso preservá-la para não degradar. Impor limites reais, que funcionem e sejam eficazes. Mas, quem se importa afinal? Era ano novo, daqui a pouco vem o carnaval e ninguém resolve nada em época de folia.

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